O Google fez algo que pouca gente esperava durante um julgamento sobre o monopólio da publicidade na internet: admitiu que a web vive um momento de declínio. No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam como esse reconhecimento público é uma virada e tanto na discussão sobre a internet. Afinal, até então, o Google sustentava que a rede seguia saudável e em expansão.
A internet nasceu como espaço aberto, coletivo e descentralizado, baseado em hiperlinks que conectam informações livremente. Esse modelo foi transformado com a ascensão das grandes plataformas digitais.
« O Google admitiu pela primeira vez que a web está passando por um declínio. Publicamente, sempre disse que a web estava saudável e até levava mais tráfego. Mas bastou uma ação judicial para trazer argumentos opostos »
— Helton Simões Gomes
Diogo Cortiz ressalta o significado da mudança de narrativa do Google.
Já condenado pela Justiça dos Estados Unidos que considerou a empresa um monopólio das buscas online, o Google agora enfrenta um julgamento que definirá quais são as medidas para restabelecer a competição nessa área.
Cortiz explica que a empresa argumenta que a divisão de sua máquina de anúncios impactará não só seus próprios negócios. Todo o ecossistema que depende da publicidade digital sofrerá.
Para Cortiz, o avanço dos chamados “jardins murados”, ambientes fechados controlados por grandes empresas, limita o fluxo de informações e reduz receitas publicitárias.
66 O declínio da web é algo provocado, é um sinal dos nossos tempos
— Diogo Cortiz
Fora isso, a adoção da inteligência artificial pelo Google na busca compromete a dinâmica tradicional da web, baseada no fluxo de links e no tráfego como base econômica. Dados de 2024 mostram uma queda importante na audiência de grandes portais de notícia nos Estados Unidos: 29 dos 50 maiores sites registraram queda mês a mês, e 44 receberam menos visitas no mês de julho do que no mesmo período do ano anterior.