Mais de 30% dos adultos no DF sofrem com insônia

Levantamento também mostra que 20% têm duração curta de sono

De acordo com o mais recente perfil epidemiológico sobre os hábitos de vida do brasiliense, divulgado neste ano pela Secretaria de Saúde (SES-DF), a frequência de adultos (pessoas acima de 18 anos) no Distrito Federal que reclamam de insônia é de 31,1%. O documento registra, ainda, que 20% dizem sofrer com uma duração de sono noturno curta, dormindo menos de 6 horas por noite.

Os dados foram levantados pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, com informações relativas aos anos de 2006 a 2024. Os indicadores relacionados à duração e à qualidade do sono passaram a ser monitorados no Vigitel a partir de 2024.

O informativo traz outras estimativas sobre a incidência e a distribuição sociodemográfica nas capitais dos 26 estados brasileiros e no DF dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes mellitus e depressão.

Importância do sono

Profissional do ambulatório do sono do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a pneumologista e médica do sono Géssica Andrade alerta que o sono noturno é o momento em que o corpo “se conserta”, e que o resultado de noites mal dormidas vai muito além do simples cansaço. “No dia a dia, a primeira a sentir é a cabeça: dificuldade de concentração, lapsos de memória, raciocínio mais lento, irritação fácil e sensação de estar sempre no limite. Com o tempo, isso vai pesando também no emocional, aumentando a ansiedade, o estresse e até os sintomas depressivos”, detalha a médica. 

A especialista reforça que noites mal dormidas podem gerar efeitos ainda mais profundos e duradouros no corpo. “Dormir pouco desorganiza hormônios importantes, aumenta a fome, facilita o ganho de peso e atrapalha o controle do açúcar no sangue, assim como a pressão arterial. A imunidade cai, a pessoa adoece com mais facilidade e sente mais dores no corpo. Não à toa, quem dorme mal vive mais cansado, mais inflamado e com menos disposição para a vida”, alerta.